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Vitória

Há alguns dias atrás eu estava meio deprimida e havia me esquecido de um fato que me faz sentir bem sempre que me lembro. Por isso gostaria de compartilhar isso com todos, pois se uma pessoa em todo o mundo se sentir melhor com isso, já estarei ajudando.
O fato é que somos todos, sem exceção, vitoriosos. TODOS, que estamos vivos neste planeta, somos vitoriosos. 
Pense em uma corrida com centenas de milhões de pessoas e você no meio, acha que venceria? Pois nós já vencemos! Todos nós! Parabéns, você foi um espermatozoide bem sucedido!
É engraçado, mas eu adoro pensar neste lado da história. Eu venci uma competição de vida e morte, e além disso, aquela partícula de vida se transformou nesta pessoa que eu sou.
A mensagem principal disso é que, por mais que estejamos afundados, nós estamos aqui. Por algum motivo, uma força maior nos mandou para uma caminhada, longa ou não, essa força nos deu uma chance de mostrar do que somos capazes. Em gratidão a toda essa magia que me colocou aqui, é que eu luto e não desisto.
Para mim a vida é uma caminhada, é o caminho para algum lugar desconhecido e misterioso. E isso tudo é tão magnífico, que todos estamos indo juntos, ninguém sabe para onde, mas é tão mágico que continuamos a caminhada até o fim inevitável.
Sei que existem pessoas de diversas filosofias, mas eu penso que todos deveriam dar valor à vida que possuem, pois desfrutamos este dom de pensar, e para que gasta-lo com bobeiras, por que não pensar na dádiva que é estar aqui? À toda prova! Para o que der e vier! 
Pra mim viver é foda! É duvidoso, é difícil, divino, desafiador e tudo que há para ser. Por isso, não posso dizer, "seja feliz, aproveite a vida", pois cada um faz o que bem entender. Pra mim, não prejudicando seu próximo e a si mesmo, apenas viva!

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A verdade dói

Boa tarde!

Hoje vou colocar um texto de uma escritora que eu adoro: Marina Colasanti. Acho que ela não é tão famosa quanto eu gostaria, mas os textos dela são muito bons. O título do post se refere justamente ao texto dela que vou postar, porque é a verdade nua e crua da maioria das vidas das pessoas.
Não me arrisco a dar conselho ou mesmo a minha opinião, apenas leiam e tirem suas próprias conclusões.

Livro: Eu sei, mas não devia - pg. 09 - Extraído por Francisco Panizo Beceiro

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

É isso aí, beijos e abraços, e um ótimo fim de semana!

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Novo!!

Boa Tarde!

Este é meu mais novo blog, vou tentar muito permanecer com ele, mais do que tentei com todos os outros.
Então, para começar, uma poesia de Cora Coralina:

Poeminha Amoroso

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...
Cora Coralina

Lindinho né? Vou tentar colocar algumas coisas minhas aqui também, e espero muito não falar de minha própria vida, erro que geralmente cometo.

Beijos e até a próxima!