de de

Mente tranquila


Ana vomitou na pia do banheiro até não ter mais o que jogar fora.
O arrependimento não havia acabado apenas com a sua consciência, mas também com o seu físico.
Ana matou a irmã por causa de sua inveja. Para poder ter tudo o que ela tinha. Mas... Arrependia-se do assassinato ou do fracasso que veio depois da morte?
Não ficou com o namorado, não ficou com o amor da mãe, não ficou com as amigas populares, não ficou com o dinheiro nem com o prestígio social.
Isso pertencia à Sara.
Mesmo morta.
O namorado, que, quando era de Sara parecia um príncipe encantado, na verdade era um canalha, patife, filho-da-puta, sem-vergonha. Não havia adjetivo ruim o suficiente para descrevê-lo. Além de viver drogado ele a enganava sem um pingo de remorso.
Ana também foi enganada. No entanto, conseguiu se livrar ilesa.
A mãe amava Sara acima de tudo. Reclamava sempre: de estar doente, de dar trabalho, de não servir para nada. Sara não ouvia. Se ouvia, não acreditava. E sempre estava lá, cuidando e entregando todo amor e carinho.
Ana não tinha a paciência de Sara. O asilo era o melhor lugar.
As amigas, afinal, não eram tão legais assim. Não se comportavam mal. Nunca fizeram nada errado, e se faziam se arrependiam demais. As regras da sociedade deviam ser seguidas.
Ana não acreditava em regras, tinha amigas como ela. Não eram populares naquela escola, melhor assim. Antes ser original.
O dinheiro ficara para a mãe. Que devia ter doado para o asilo. Ana viu que não era muito mesmo.
O prestígio social era só de Sara. Era para o jeito dela.
Ana achava insuportável fingir daquela maneira.
É. Seria impossível ter dado certo. Ana, de verdade, nunca quis ser Sara. Nem ao menos, quis o que era dela.
Só agora percebia.
Ana queria um namorado – mas não aquele –, o amor de uma mãe – mas sem dar nada em troca –, amigas populares – mas que continuassem as mesmas –, dinheiro para gastar – mas que fosse infinito – e prestígio social – mas não o daquela gente mesquinha.
Parou de vomitar. Enxaguou a boca, escovou os dentes. A ardência na garganta continuava. Mas uma coisa havia mudado: o arrependimento.
Graças à morte da irmã, Ana conseguia entender quem era e o que queria. Não começaria vida nova, continuaria a que tinha. Sem irmã, sem mãe, não importava, o essencial estava ali: ela.

de de

Histórias de Natal

Quando eu era criança não sabia da existência desse tal Papai Noel, porque minha família jamais havia me contado e também nunca tivemos costume de trocar presentes no Natal. Como eu cresci sem assistir televisão, nunca havia escutado sobre a lenda do "bom velhinho". Mesmo assim, lembro de três fatos que ocorreram em minha vida que tinham a ver com o Noel:
1º - Por volta dos sete anos eu vi na televisão (não sei onde) um comercial de um Papai Noel que contava histórias pelo telefone tal. Eu que sempre amei histórias pedi muito para os meus pais ligarem. Obviamente eles não deixaram... Obviamente eu liguei escondida... Obviamente minha mãe descobriu... Porque uma coisa que eu não imaginava naquela época era a existência de conta telefônica.

2º - Alguns dias antes do natal, quando eu tinha em torno de nove anos, levantei uma manhã e achei uma sacola cheia de brinquedos embaixo da minha cama. Não eram brinquedos novos, mas eram muito utilizáveis, tinha Barbies, esposos da Barbie, roupinhas, carrinhos, etc. Pensei: quem sabe esse tal Papai Noel existe? Mas a minha mãe esclareceu que minha amiga havia esquecido os brinquedos dela lá em casa.

3º - Me lembro remotamente de passear pelas ruas no Natal e encontrar vários homens vestidos de um jeito muito estranho naquele calor danado. Eles carregavam um saco vermelho, e haviam gordos, magros, altos, baixos, negros, brancos, velhos, novos, com barba postiça bonita, com barba postiça feia... E eu jamais teria me aproximado se minha mãe não dissesse que eu poderia pegar balas com eles... Estranho que isso não me fez gostar mais deles ou achá-los menos estranhos...
Essas são histórias de natal que eu me lembro sobre o papai noel...
Eu nunca fiquei perturbada por não ter presentes no Natal porque sempre entendi o motivo real da comemoração e na minha mente não cabia um homem vestido de roupas quentes e vermelhas distribuindo presentes por aí no aniversário de Jesus...
Eu adorava o Natal porque as pessoas pareciam mais felizes, relaxadas, esperançosas e dispostas a ajudar. Também sempre gostei da beleza dos enfeites, das luzes, do almoço (não era ceia, era almoço mesmo) que fazíamos com grande parte da família reunida.
Gostava muito das novenas de natal, a gente cantarolava aquelas canções lindíssimas que eu adoro (são velhas e passadas, mas eu adoro), aquelas mensagens repetidas, mas que sempre são válidas, os abraços sinceros entre todos, os comes e bebes, e as conversas descontraídas depois da novena.
Outra coisa que eu adorava no Natal de antigamente eram os amigos secretos de R$ 1,99 (no máximo R$ 5,00), era extremamente divertido ter que se dobrar para escolher um presente tão barato e ainda significativo e era muito difícil alguém sair perdendo porque todo mundo sabia que não ia ganhar grande coisa (a não ser que quem te tirou fosse sua mãe, seu filho ou coisa assim). Eu gostava porque os presentes eram engraçados ou bonitinhos e ninguém ficava pensando: "Credo, dei um presente de R$ 30,00 e ganhei um de R$ 5,00."
Sem falar que, naquela época, ainda mandávamos cartões de natal lindíssimos e com mensagens belíssimas (não é uma parte tão importante, mas como amante das artes e das letras eu amava isso né!).
Fonte
Enfim, o que eu desejo neste Natal a todos é que se lembrem de amar aqueles que os amam, de amar a vida que tem, as coisas que possui, a família e os amigos, principalmente, porque eu não tenho a menor dúvida de que a felicidade reside naqueles que recrutamos para estar à nossa volta.
Esqueça os presentes (caros ou baratos), esqueça as coisas materiais e valorize essas almas bondosas que fazem nossos dias melhores.
Raramente falo sobre Jesus, mas como hoje é dia dele, não poderia deixar de dizer que ele passou a vida toda sem bens materiais, e neste dia ficávamos felizes em lembrar que nosso salvador nasceu, tentando transmitir ao mundo uma mensagem de paz, de esperança, de união e de fé. E são esses sentimentos que o Natal deve transmitir.


de de

Últimos desenhos

Contorno com nanquim e pintado com lápis aquarela cretacolor - Adaptação do poster na pág. 25 da revista "Anime>Do" número 07

Rosto de uma modelo que eu esqueci o nome hauahuahau, coloquei o zíper e a aranha porque achei meio sem graça deixar só o rosto.

de de

Amor ao revés

Hoje fez frio, depois de tantos dias de calor... Como se anunciando o que viria o frio chegou a mim com um susurro.

O clima voltou... Dessa vez estático... E você, sem dizer palavra, me abandonou.

Minhas expectativas não eram muitas em relação a você. Mesmo assim nem o mínimo você cumpriu.

Refletindo eu pensei, que só a minha mente limitada e meu coração louco seriam capazes de gostar de alguém assim como eu gostei de você. Mas a verdade é que eu jamais deixarei de acreditar que o que virá é bom.

Às vezes a vida me prova o contrário, como agora...

No entanto, eu seguirei acreditando, que alguém como eu, pode ter outro alguém, pelo menos, melhor do que você.


de de

Meus personagens vivos

Algumas coisas, pessoas, poesias, paisagens me inspiram, mas até hoje não cheguei no ponto de conseguir escrever uma longa história tocante. Há tempos tento terminar três contos que iniciei, mas não consigo. Uma vez ouvi dizer que os personagens falam por si só e levam a história para onde ela deve ir... Será que os personagens podem falar por si? Eu tenho a impressão de que, se eu conseguisse deixá-los falar, deixá-los ser independentes eu também conseguiria terminar minhas histórias.

Mas é tão complicado quando eles resolvem se manifestar, tantas histórias complexas que se entrelaçam e tantos caminhos que essas histórias podem seguir... Como decidir qual rumo seguir? Que medo de ser dona de  tantas vidas. Fictícias? Sim, mas não sem importância. Cada história inspira outras histórias (reais ou não) e o que eu quero é ser uma boa inspiração, talvez a resposta para alguns problemas ou apenas o conforto nas horas difíceis.

Talvez almeje mais do que posso, porém não posso desejar menos do que meu coração pede. Então quem sabe um dia eu consiga falar aos outros corações e ajudá-los a seguir...


de de

Prato do dia - O Teatro Mágico


Só posso dizer que amo essa música.

Prato do dia - O Teatro Mágico

Como arroz e feijão,
é feita de grão em grão
Nossa felicidade

Como arroz e feijão
A perfeita combinação
Soma de duas metades

Como feijão e arroz
que só se encontram depois de abandonar a embalagem
Mas como entender que os dois
Por serem feijão e arroz
Se encontram só de passagem

Me jogo da panela
Pra nela eu me perder
Me sirvo a vontade... que vontade de te ver

O dia do prato chegou é quando eu encontro você
Nem me lembro o que foi diferente!
Mas assim como veio acabou e quando eu penso em você
Choro café e você chora leite

Choro café e você chora leite


http://www.vagalume.com.br/o-teatro-magico/pratododia.html#ixzz1fiOK7Joq

de de

Olhos negros

Essa ausência me encanta
De todas as cores, nenhuma
Nada te apetece
Assim seus olhos me dizem
Profundos, misteriosos e negros
Às vezes brilhantes e vivos
Outras, opacos e distantes

De todas as palavras, nenhuma
Essa antipatia eloquente
Me fez masoquista
Escolhi maltratar-me

Deixo-me levar
E mesmo ao recusar
Seus olhos negros
Eu quero

de de

Desfecho

Calam-se

As vozes que outrora ansiavam atenção
Mudas quedaram

Antes insatisfeitas gritavam
Agora em silêncio
Destroem o resquício de fugor

Contra a inércia prevista
Restou a mudez

O levante se deitou
A gritaria se calou

Quando algo se escuta agora
Apenas execrável e inútil se torna


de de

A inútil racionalidade

Cansado de tolerar, suportar e regredir ele se foi. Mochila nas costas e esperança movendo os pés. Os dias passaram rápido e as pessoas também. Sozinho andava, conversava e se divertia. Andarilho lhe chamavam, ignoravam ou protestavam. Não importa.

Certo dia um senhor tolo e inutilmente racional lhe fez uma pergunta igualmente tola e profundamente inútil: "Por que você vive assim?"

Ele riu, depois suspirou e lamentando a estupidez do outro retrucou: "Pergunte ao vento, quando conseguir ouvi-lo, entenderá."


de de

Mudou eu ou mudou o mundo


Sabe aquele tempo em que o por do sol podia ser visto com tranquilidade e a brisa soprava despretensiosa e desdenhosa de ser tão refrescante?

Me lembrei daquele tempo hoje...

Como éramos felizes e despreocupados com o amanhã ou mesmo com o que já tínhamos vivido.

Quando pensar sobre a vida era apenas agradecer a beleza da natureza e esperar o melhor dos dias vindouros.

Você ainda lembra? A época que as estações eram bem marcadas, quando a primavera trazia o colorido e o perfume das flores, quando o outono era um pouco mais quente que o inverno, o verão era mais quente que a primavera e no começo do inverno a gente tirava os casacos do armário se preparando para não congelar.

Será que é uma impressão minha? Ou será que estes dias estão mesmo loucos?

Será que não sabíamos do mal do mundo porque não percebíamos?

Só não consigo acreditar que sempre foi assim...

Toda essa confusão sem propósito.

Eu queria poder voltar... Ou pelo menos relembrar, como eu conseguia ser tão feliz em um mundo implacável.

Quem sabe você me explique... Como os dias ficaram assim... Como eu fiquei assim...

Talvez eu consiga decidir: melhor viver essa realidade tentando modificá-la (em vão?) ou viver sonhando ser feliz?


de de

Tristeza


Eu estava ali, na berlinda
Esperando um milagre...
Um caminho a seguir...
Quando você chegou
E me mostrou o que há de bom
Me fez entender que a vida é muito mais
Me motivou a seguir em frente
A buscar, a ir atrás
Me deu exemplos com sua própria vida

E quando eu já havia me acostumado
Com a sua presença radiante
Você se foi...

Como resolver a minha solidão
Substituir o que você deixou
Continuar o que restou
Fazer o que me ensinou

É tão difícil continuar sozinha
Olhar pro lado e ver que você não está
Querer sentir de novo
Aquilo que nunca vai voltar
Duvidar sem expectativas
de solução

Existe mesmo
uma vida após a morte?
Existe mesmo
minha vida após...

Fonte

Mais uma dúvida 
sem solução

de de

A eternidade dos pequenos momentos

Alguns momentos da vida as palavras não conseguem descrever. Não porque sejam insuficientes, mas porque não há como transmitir sem esquecer detalhes essenciais.

Esses raros momentos, que geralmente são curtos, ficam gravados e com o passar do tempo apagam-se em partes e são reconstituídos por nossa memória... Sem saber se foi assim, acreditamos no eterno da maneira que nos recordamos.

Assim o sentido da vida continua nesses breves instantes em que o coração parece ser a única parte do corpo a existir. Nesse instante que, ao fechar os olhos, se enxerga mais.

Quando a imensidão do universo nos atinge e a matéria se desfaz. Quando o que se busca não se atinge e mesmo assim se busca cada vez com mais intensidade.

Vivemos esperando que esses momentos reapareçam, que a vida novamente nos surpreenda, tirando de nós a ilusão de que o tédio é constante.

Assim continuamos...

Na expectativa de muitos eternos pequenos instantes.


de de

Aceitar e ser feliz

Aceitar. O verbo que me ajuda a levar a vida tranquila. Porque muitas das situações que nos cercam devem apenas ser aceitas.

Algumas pessoas começam a esbravejar antes mesmo de saber exatamente o motivo pelo qual se descompuseram. Outras gostam de fazer um drama para ver o que as pessoas estão dispostas a fazer por elas. Outras ainda tentam fazer uma coisa interessante: nada. Estão sempre ali, fazendo nada e recebendo a mesma coisa da vida.

Claro que não é preciso aceitar tudo o que nos acontece, mas sim aquelas coisas que não podemos mudar. Não aceitar o que não pode ser mudado por nós mesmos é besteira! É desgastar-se sem motivo e sem retribuição. Está sofrendo? Tudo bem, mas durante esse sofrimento tente encontrar a compreensão, a aceitação e a paz.

Não se culpe. Algumas coisas acontecem sem que possamos evitar. Aceite. Faz parte da vida.

E se você é do tipo hiperativo, que não consegue se conformar com nada que você não possa mudar... Preste atenção, você está jogando sua saúde no lixo. Ser revolucionário, ter atitude, ser proativo... Dane-se! Eu quero é ser feliz!

Aceite seu corpo, aceite sua situação financeira, aceite seus amigos loucos.

Mas não fique parado aceitando, faça alguma coisa. Aceitar não é parar de fazer. Aceitar é um exercício diário. É a revolta no momento certo, é o esforço naquilo que você gosta, naquilo que te dá prazer, é ser proativo com aqueles que você gosta. É viver percebendo todos os dias a beleza que a vida tem.

Aceite e veja que o lado bom geralmente é bem maior.


de de

Meu tormento: escrever...

Eu escrevo pra deixar um pedaço de mim, pra viver novas aventuras, pra inventar sem preconceito e sem medida...

Eu escrevo pra me libertar, pra atrair, pra conquistar...

Eu escrevo pra deixar minhas pegadas por aí, escrevo para ser lida sim, escrevo para me sentir em paz...

Quando escrevo sinto dentro de mim essa sensação de satisfação e ansiedade.

Se é uma história: vivencio os personagens, um a um, e espero... Como a planta espera a luz do sol... O final de cada um...

Se é uma reflexão: sinto os pensamentos se acomodarem, pedindo passagem, se escondendo, se ajustando e saindo calmamente... Uma sensação boa... De liberdade, como quando o vento te sopra os cabelos e te faz pensar por um segundo o quanto é bom estar ali...

Mas escrever é meu tormento... Desespero-me quando não consigo, quando a mente não se acalma...

Enlouqueço em pensar que nunca conseguirei escrever de novo... E esses lapsos me vêm com tanta freqüência, que às vezes me canso...

Porém, sempre vem o novo dia... Uma nova inspiração, novos ares... Mais ou menos a mesma coisa se produz, mas com uma diferença fundamental, dessa vez, estou mais resistente e mais segura.


Gostaria de agradecer a todos aqueles que sempre me incentivam a continuar, vocês fazem uma diferença absurda sempre! Obrigada!

de de

Criança

“Se não vejo na criança uma criança, é porque alguém a violentou antes, e o que vejo é o que sobrou de tudo que lhe foi tirado. Essa que vejo na rua, sem pai, sem mãe, sem casa, cama e comida, essa que vive a solidão das noites sem ninguém por perto, é um grito, um espanto. Diante dela o mundo deveria parar para começar um novo encontro, porque a criança é o princípio sem fim e o seu fim é o fim de todos nós”
Herbert de Souza "Betinho" - Sociólogo - 1935 – 1997
Fonte do texto

Ser criança

de de

Você pra mim

Te encontrei quando desisti de amar, quando isso já não fazia mais sentido pra mim...

Te encontrei em um momento egoísta, jurando que só me importaria comigo mesma e mais ninguém...

Mas você me fez perceber que ao desistir de amar, eu também havia desistido de mim, dos meus sonhos verdadeiros... De amar a minha essência.

Você foi a minha salvação, minha fuga legítima de todo o mal que há de haver.

Até hoje... Continua sendo você... A razão da minha volta, a razão do meu permanecer...

Continua sendo você, a minha vitória diária sobre o pessimismo dentro de mim...

A saudade constante que me estimula no caminho difícil de sonhar o que se quer...

Aquilo que possuo de mais valioso já lhe dei, ainda assim, sei que jamais lhe retribuirei à altura... Se minha alma e meu coração já são seus...

Por isso peço que aceite meus sorrisos, meus carinhos, minha felicidade irradiante... Peço que aceite todo o meu ser ao seu lado, minha inteireza e um pouco mais...

Por agora... E depois... E para sempre... Para minha liberdade derradeira.


*****-------*****-------*****-------*****-------*****-------*****-------*****-------*****-------

E uma música que eu acho linda, que tem tudo a ver com o que eu quis dizer no texto acima. =D



"você é a escada na minha subida, você é o amor da minha vida, é o meu abrir de olhos no amanhecer, verdade que me leva a viver..."


de de

Beleza é importante pra você?

Assistindo A Bela e a Fera na Temperatura Máxima eu fiquei pensando...


O filme fala a respeito de não haver essa questão de beleza no amor, mas então porque a Bela é tão linda e desejada? Mas então porque a Fera se torna um príncipe belíssimo no final da história?

Tudo bem que a história foi escrita há muitíssimo tempo atrás, mas eu não posso aceitar que hoje em dia entendamos que aquilo é um exemplo de "o amor não é feito de aparências". E se ao invés de o homem ser a fera que encontra uma mulher que o ame, fosse o contrário? E se a fera fosse uma mulher que espera um homem que goste dela assim como está?

Tenho certeza que o resultado seria muito diferente... E ainda se a Bela fosse feia de doer? Com um coração lindo, uma alma divina, mas feia de doer? Fique na imaginação de cada um, pois não me atrevo a chegar em conclusão nenhuma...

Enfim, o que me deixa revoltada nesses tipos de história é que a beleza pode ser suprimida do homem, mas raramente é suprimida da mulher. Por isso eu gosto mais do filme Shrek!


Podem me condenar, mas ninguém tira da minha cabeça que a beleza é absurdamente mais importante para uma mulher do que para um homem. O mínimo que se exige do homem é que ele tenha higiene... Estando escovado, de banho tomado, bem aparado e sem bafo, tá valendo!

Experimente, você mulher, sair de casa um dia sem maquiagem e brincos, com um rabo de cavalo e uma roupa de moletom larga (aposto que muitas nem possuem tal peça no guarda-roupas né?), e depois conte quantas pessoas perguntaram a você: "Está doente?", "O que aconteceu? Tudo bem?", "Está naqueles dias?" e por aí vai. Sem contar aquelas pessoas que pensarão e não falarão: "Coitada! Deve estar enfrentando problemas em casa, olha a cara de acabada!"

É isso, dedicamos mais de uma hora por dia apenas cuidando da aparência e isso é quase uma obrigação. Precisamos constantemente corresponder aos estereótipos de beleza que circulam por aí, mas espere! Não é para exagerar, muita beleza também atrapalha! Então cada uma deve trazer dentro de si a dose exata de beleza que precisa proporcionar ao mundo todo santo dia, caso contrário deverá enfrentar a sina cruel de um corpo e um rosto não "adequados".

Tudo bem, exagerei um pouquinho... E lembrei de um amigo meu que me disse um dia, "vocês mulheres têm muita sorte em possuir mil maneiras de disfarçar a feiúra" (não disse assim pra não me ofender, mas foi o que eu entendi). Ele quis dizer que os homens que nascem feios, ou procuram cirurgia plástica urgente, ou se tornam metrossexuais (sem nem mesmo assim possuir muitas chances de embelezamento), ou simplesmente aceitam seu destino. Já as mulheres possuem um arsenal de cílios postiços, unhas postiças, maquiagem que disfarça, que realça, que esconde... Roupas que valorizam isso ou aquilo, e disfarçam isso ou aquilo também... Além, é claro, dos acessórios que tem a mesma função das roupas e maquiagem.

Me lembrando dele, no final das contas até que não fiquei muito ofendida, pobres homens que não possuem o benefício do disfarce. Por que, por mais que eu não curta muito esse negócio de sair "disfarçada" por aí, eu posso recorrer a essa artimanha quando me der vontade... E fico muito feliz por isso...

Então pessoal, no final deste post eu já nem sei mais o que eu gostaria de deixar como moral da história... Talvez simplesmente que ser feio é uma dureza, que todo mundo quer se sentir bonito pelo menos uma vez na vida, que todo mundo deseja muito se sentir aceito, que essa ditadura de beleza e perfeição está nos deixando loucos, e que eu não faço a mínima ideia de como poderíamos acabar com isso!

Por que, no final das contas, o que importa mesmo é você gostar e estar bem consigo mesmo... Feio ou bonito, se você aceitar a si mesmo, você será capaz de dar ao universo o que tem de melhor e receberá em troca o que precisa para ter uma vida feliz.

Dont' worry, be happy!



de de

Amizade e amor


Encontrei esta crônica de Vinícius de Moraes que traduzia grande parte daquilo que eu gostaria de dizer sobre os amigos.

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. (...) Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. (...) Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber - que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os."

Pois é... Depois que li isso fiquei imaginando o quão complicado se torna esse sentimento pra mim... O amor parece ser bem mais simples, pois não envolve várias pessoas ao mesmo tempo... Como se pode conquistar e perder um amigo? Como se pode ser amigo sem nem mesmo saber? Essas perguntas perambulam por minha cabeça sem resposta... Por que, por mais complicado que sejam os relacionamentos amorosos eles são relativamente simples se comparados às amizades.

Aos amores dizemos: "Quer namorar comigo?" ou "Quer casar comigo?" e ainda "Eu te amo!"

Mas o que dizemos àqueles amigos que nem ao menos sabem que nos são tão importantes? O que diremos àquelas pessoas que gostaríamos muito de ser amigos, mas não sabemos nem ao menos por onde começar?

Por isso é tão difícil pra mim falar sobre amizade... Porque me recordo com muito afeto de todos os meus amigos, estando aqui ou não... Guardo com muito carinho aqueles que desejei ter como amigos, e ainda aqueles que já me ajudaram sem pedir absolutamente nada em troca, aqueles que sempre me ajudam e que lhes dou com muito amor minha amizade e meu coração aberto...

Mas ainda não sei como dizer "Quer ser meu amigo? Sei lá, acho que seria legal..."

Uma diferença interessante é que no amor queremos tudo e mais um pouco, na amizade o que pedimos? Ajuda, carinho, companhia? Às vezes o amigo está ausente a maior parte do tempo, ainda sim a amizade continua de uma maneira misteriosa e mágica, o amor, no entanto, pede tudo e mais um pouco de cada um, pede atenção, paciência, sensação, presença, fidelidade, sinceridade...

Mas o amor se divide em vários... O amor pode ser sentido e entendido de tantas maneiras... Pois não se ama apenas uma vez na vida e muito menos apenas uma pessoa. Pois não se ama apenas aquela pessoa por quem também se sente paixão... Amamos a vida, os animais, alguns objetos especiais, algumas pessoas especiais...

O amor é lindo porque pode se dividir em dúzias, centenas, milhares de sentimentos... Similares ou não...

E por vezes amizade e amor se misturam e se homogeneízam, sendo impossível separá-los depois. Mas a amizade é linda por que é específica! Sim, apenas para um caso, para os amigos (humanos ou não...).

De qualquer maneira, acabei chegando à conclusão de que não me importo com suas semelhanças e diferenças, quero apenas senti-los... Porque é daí que vem a minha força vital e a consequente realização dos meus sonhos.

Obrigada às pessoas que, por terem passado, ou ainda permanecerem em minha vida, tornam esses sentimentos possíveis.



de de

Mulheres

Ser mulher pra mim já foi uma tortura... Já foi algo que eu odiei e por vezes é algo de que eu juro que me arrependo (mesmo não tendo culpa). Porque ser mulher não é fácil e em alguns períodos do mês a revolta bate e eu fico assim com raiva da minha natureza.

Mas, o resto do mês é tranquilo e eu consigo perceber o quão maravilhoso é poder viver sendo esse ser mutante e magnífico. Esses dias estávamos conversando eu e minha mãe sobre a amamentação, e ela disse "Como pode o sangue virar leite?" e eu disse "Bom, Jesus transformou água em vinho...". Pois é, ele transformou milagrosamente água em vinho, e nós mulheres já somos um milagre vivo, que, diante da necessidade do bebê, transformamos o sangue que corre em nossas veias em leite. E, ainda, preocupadas com a qualidade, fabricamos o leite mais vitaminado e super-potente que a criança precisa.

Sem falar no próprio milagre de gerar uma vida...

No entanto, essa conversa ainda não se encaixa no meu caso, pois não sou mãe e não experimentei essa transformação magnífica. Quando digo que tenho orgulho de ser mulher é porque somos criaturas dinâmicas e sensíveis. Sei que não falo por todas, mas a grande esmagadora maioria de mulheres que eu conheço são assim.

Mulheres nunca são monótonas. Cada período do mês é uma personalidade assumida. Um dia dócil e submissa, no outro dia feroz e rabugenta. Os homens reclamam não saber lhe dar com essas transformações bruscas no temperamento, mas eu digo que esse é o grande charme de ser mulher.

As mulheres podem se dar ao luxo de armar o barraco quando estão na TPM, comer muito chocolate, gastar com qualquer bobeira, e depois chorar as pitangas porque engordou e está sem dinheiro.

Isso é lindo porque faz parte de todas nós. Uma mulher controlada não tem graça... Aquela que vive em uma constante, sempre divina ou sempre megera... Não agita a vida, não encanta... Embora eu ainda não tenha encontrado uma... Sei que existem, por aí... Escondidas e envergonhadas por negarem sua natureza.

"Quanta besteira!" Diriam alguns homens que conheço (e algumas mulheres também), mas quer saber? Eu não ligo.

Quando, às vezes me revolto e imagino que deveria ter nascido homem é porque me canso de carregar o mundo dentro de mim e ainda ter que, por vezes, explicar a todos quais os motivos de minhas lamuriações. Porém quando volto à razão, percebo que isso é fantástico e eu não quero perder de jeito algum. Besteira ou não, é assim que eu me sinto e é assim que vejo as mulheres que conheço. Anjos que cuidam uns dos outros, vigiam a humanidade e tentam, ao mesmo tempo, encontrar espaço para si mesmos.

Não quero dizer que nos louvem e idolatrem... Quero pedir apenas que entendam que as mulheres são assim mesmo: mutantes. E quero que imaginem como seria se fosse diferente, se esse espírito indomável não existisse. Se aquelas pequenas revoltas cotidianas não se formassem em seu íntimo... Se elas sempre utilizassem a razão e nunca fizessem charme ao pedir algo ou ao se desculpar. Se não existisse aquela mística encantadora por trás dos sorrisos, se não houvesse aquela preocupação excessiva com aqueles que elas amam... Se não houvesse aquele tratado de paz e conforto que existe no interior de todas (que apazigua a violência da razão)... Se não houvesse aquela luta incessante pela aceitação de todas as suas faces...

O que quero não são glórias, são apenas sorrisos e abraços verdadeiros doados com o coração livre. Quero apenas sentir que sou aceita, assim mesmo, desse jeitinho: por vezes vaidosa, outras vezes nerd, ou ainda alguém sem rótulos, apenas normal... Às vezes sargento, outras vezes apenas companheira. Às vezes criança, ou adolescente revoltada, ou ainda adulta racional.

E nem peço apenas que aceitem, peço que apoiem... Que acordem aquelas mulheres que se revoltaram e tentam fingir que são iguais-iguais-iguais todo dia, porque eu sei que elas não são. Se dentro de seu íntimo existem diferentes vozes implorando sua atenção, não as negue. Se nos momentos de descontração e intimidade você tem aquele desejo quase incontrolável de ser outra pessoa, seja!

Mulher, por favor, não queira ser apenas uma... Pelo bem da humanidade continue sendo assim: múltipla, mutante e magnífica.

Pintura de Maurício Barbosa.

de de

Estagnar ou seguir?


Difícil mesmo é esquecer os traumas do passado...

Porque aquele fora que você tinha certeza que seria um "sim" nunca deixa de existir na sua cabeça...
Porque aquele amor que tinha tudo pra dar certo e não deu, jamais abandona a sua mente e seu coração...
Porque aquela entrevista de emprego para a qual você tanto se preparou e apostou que daria certo, mas não deu, sempre te acompanha em uma nova tentativa...

No entanto, me lembro muito bem de tudo que arrisquei, de tudo que sofri para poder chegar até aqui... E uma pergunta permanece em minha mente: Qual é a saída? Se arriscar de novo? Fazer nada e não correr o risco de voltar ao marco zero?

Correr o risco de levar um "não" bem grande da vida de novo, correr o risco de ficar abandonada, correr o risco de depender de todos menos de si mesmo...

Fazer nada, permanecer no mesmo estágio, não evoluir para o próximo nível...

Difícil mesmo é entender que tipo de lição a vida quer nos ensinar com tantos obstáculos... Ficar ou seguir... Quais aspectos precisam de mudança e quais os que devem permanecer...

Preciso entender que as escolhas que fiz me trouxeram até aqui, e não importa como será o meu futuro, o que realmente importa é o que eu vou fazer agora. Estagnar ou seguir?

A vida continua sendo um mistério indecifrável, pra mim, essa é a única verdade.


de de

Ser sua

Hoje só me acalmarei de um jeito... Simples, absurdamente descomplicado e prazeroso.

Não precisa se esforçar, deixe que eu te seduzo e te encanto... Apenas responda, com uma palavra, um gesto, um olhar que seja. Eu sei identificar os seus sinais.

Cada parte do seu corpo que te arrepia, cada movimento que te alucina, cada perfume que te excita... Eu sei.

Hoje a sua espera valerá a pena... Recompensarei... Com aquele perfume, aquele decote, aquele toque...


Porque preciso do seu corpo, do seu desejo, sua alma. Porque eu só quero ser sua, por inteiro, completamente...

Só preciso te sentir aqui... Preciso de você mais perto, engolido... Por mim.

Hoje você será meu remédio, minha cura do mundo. Quero sentir apenas o prazer inebriante que exala de você...

Porque não posso mais suportar estar próxima... Sentir o teu olhar e teus leves toques sem reagir assim.

Quero ouvir seu gemer, sua respiração ofegante, sentir seu suor, seu cansaço... Sentir você dentro de mim, seu requebrar, sua selvageria, seu toque alucinado, seu prazer ao me possuir...

Quero sentir seu sabor, sua força e seu desejo.

Meu bem, porque você me deixa louca e hoje cada parte do meu corpo, cada suspiro, cada grito de prazer serão seus.

de de

Minha inspiração

Estava tentando criar coragem para escrever uma poesia, um pequeno parágrafo, continuar alguma história, mas isso simplesmente não me ocorre.

Minha mente está mais vazia que o deserto... Deserto de gelo, porque além de vazia, está fria.

Muito estranho... Agora pergunto-me aonde foram a intensidade e a tenacidade das minhas emoções...

Se esconderam, decerto, no mais escuro lado do meu ser... Se foram lentamente. Sem avisos, sem presságio, sem pressentimentos e nem bilhetes.

Me deixaram assim, nesta harmonia lânguida e lenta.

Por isso...

Por ora, me abstenho da escrita.

Os sentimentos e as palavras voltarão quando assim o desejarem.

Fonte

de de

Exagero

Apenas as emoções fortes me atacam e me consomem com sua força, apenas o exagero, o que transborda e se vai para longe.

O que está ao meu alcance não me atrai. A rotina... Tão dispensável. As regras... Igualmente.

O belo me distrai, até mesmo seu inverso...


O insensato me conquista e o imprevisível não me assusta.

Afinal, o que será de minha vida quando a taquicardia passar, quando o suor cessar, quando não mais existirem os tremores...

Confesso, prefiro morrer a ter que ver o exagero de minhas emoções desaparecer nesse mar de mesmices.




de de

Mostra de teatro - Miguilim

Acompanhando a 3ª mostra de teatro aqui em Toledo, acho que consegui entender um pouco mais aquilo que nada sabia. Já que eu e minha amiga decidimos entrar nesse mundo, é preciso então conhecê-lo.

A experiência de domingo foi fascinante. Os elementos que mais me impressionaram foram: a iluminação, os atores, o texto e a disposição de todos no palco. Sei que não entendo nada de teatro, mas fiquei realmente boquiaberta com a maneira simples de trazer para dentro da mente da platéia uma história, que, apenas lida, provavelmente não causaria o mesmo efeito. Digo isso, porque muitas pessoas não possuem o gosto pela leitura (o que não é o meu caso), e certamente, não aproveitariam o texto se o tivesse em mãos. Mas ali, ao vivo e à cores, havia uma compenetração e uma mistura entre palco e platéia incrível. Infelizmente, perdi o início da peça, mas, felizmente, não perdi a peça.

Adorei a iluminação porque parecia transformar o cenário por completo, porque cada movimento de luz transformava o tempo e o espaço. Sim, estranho, mas real. Em apenas um palco, em apenas um espaço pequeno houve dia, noite, sol, chuva, seca, tempestade... Houve aqui, ali e acolá. Houve passado, presente e futuro acompanhados de perto, assim, nu e cru, ao vivo.

Tudo bem, pode não ter sido tão emocionante para todos, mas pra mim foi inesquecível.

Também me impressionei com os atores, porque só me lembrei que eram apenas atores ao final da peça, quando se reuniram todos para os aplausos. Eu não sei muito disso, mas só o que eu sei é que quando me esqueço do ator e vejo apenas o personagem, deve ser porque ele atua bem. Pra mim o que importa não é quem representa, mas o que representa.

Gostei do texto porque era sofisticado e simples ao mesmo tempo. Era como um livro, mas um livro vivido, um livro muito bem contado. Isso me fez gostar mais da peça, porque adoro ler e adoro livros, e estando lá era como se estivesse dentro da história. Era como se a leitura que fica apenas em minha mente fosse representada lá fora...

E sobre a disposição do palco... Bom, depois de tudo, nem me lembrava que existia um palco a ser ocupado. Talvez porque ele estivesse completo, ou passasse a impressão de estar... Já não sei... Só sei dizer que foi incrível.

Agora só me resta ler a obra de Guimarães Rosa para me entusiasmar ainda mais a seguir meu sonho de ser escritora e dramaturga.

Estreou em 23/10/10, no TUCA - Teatro da PUCPR


de de

Don't worry, be happy

Um dia a gente se pega olhando de novo aquela foto e lembrando como foi bom... Lembramos dos tempos antigos e o que vem à mente é um misto de saudade, tristeza, alegria e...

A continuação da última frase depende tanto! Depende de como estamos hoje, mas hoje mesmo, neste dia, neste exato momento em que encontramos a foto. Por que somos seres variáveis e não nos contentamos com a mesmice diária, não nos contentamos em sentir sempre a mesma coisa, em viver a vida sempre da mesma maneira.

Então, se estamos felizes com nossa vida atual, talvez pensemos como aquele tempo foi satisfatório e como nos ajudou de alguma forma a chegarmos onde estamos.

Se estamos tristes, talvez pensemos como era bom aquela época, aqueles amigos, aquele emprego, aquele namorado, e nos ressentimos imaginando como deixamos que toda aquela felicidade se fosse dia após dia.

Se estamos indiferentes, talvez apenas nos sentimos acalentados, por saber que um dia fomos felizes como nunca.

E ainda, se estamos meio deprimidos, tentamos imaginar como tudo acabou tão mal e como jamais será daquele jeito novamente.

Mas, na verdade mesmo, não importa como fomos ou como seremos, só importa como estamos e como somos. Por que todos sabem que o que foi fotografado era o agora, que se tornou passado. E todos sabem que muitos outros agoras felizes virão.

Então se você está feliz, nem pense, apenas continue assim. Se você está triste, apenas saiba que a tristeza também faz parte de uma vida feliz, e que essa tristeza logo ficará no passado também. Se você está indiferente, inspire-se! Olhe esta foto e decida hoje o que fazer, para sair do mesmo de sempre, para voltar a ser o seu protagonista, para não deixar que outros ditem o rumo de suas próximas histórias.

E se você está meio deprimido... Confie em mim quando digo que a sua atitude transformou aquele momento em um ótimo momento, e muitos outros também serão assim, depende apenas disso: sua atitude.

"Don't worry... Be happy"

de de

Você...

Acordei pela metade e levantei caindo
Esqueci as partes que deveria reunir

Você me confundiu
Nem sei se me completou ou repartiu

Por que ao ver você já não sei se sou eu, ou se eu sou apenas uma parte de mim em você
Mas para a parte existe o todo, e o todo mede as partes

Então já me confundo e já misturo
Tudo que sou eu e mais ainda o que é você

Mas a medida é tão banal e a lógica tão desnecessária
Que a mim só interessa saber

O mais que esse tudo pra mim
Sou só eu e você

de de

Ei amigo!

Amigo, hoje eu só queria me dar a liberdade de chorar. De mergulhar em minhas lágrimas e encontrar lá dentro a coragem para lhe dizer o quanto sinto de solidão quando estou sem seu apoio.

Talvez encontrar um pouco mais de compaixão, pois dentro da minha tristeza existe uma enorme quantidade de egoísmo que eu finjo não existir, mas que no fundo está sempre ali... E que aparece naqueles momentos críticos onde é necessário se sacrificar para te ajudar amigo... Onde a atitude não se sobressai... E o belo discurso do "ajude o próximo" cai por terra...

Quem sabe não poderia encontrar neste mergulho um pouco mais de amor... Amor por tudo o que há de bom em mim e nas pessoas que me rodeiam... Amor para enxergar o que ainda existe de bom, e para agradecer o apoio que me dá quando tudo vai mal...

Talvez um pouco de compreensão... Ah... Amigo... Compreensão... Esta que lhe tenho faltado...

Seria demais pedir humildade e serenidade? Talvez não... Afinal, pedir não custa...

No fundo amigo, o que eu gostaria, é poder viver de novo, refazer todos os momentos em que as palavras foram mal ditas ou mal entendidas... Perdoar e ser perdoado por colegas, familiares, amigos e aqueles que são mais do que qualquer palavra existente pode descrever...

Se existisse, lá no fundo, um sistema de "Desculpas coletivas"! Eu ia adorar!

Pensando bem... Você sabe... Igualmente me arrependeria depois... Por não ter incluído sentimento suficiente em cada pedido efetuado.

Enfim...

O mergulho acaba e os problemas ainda estão ali, e, ironia ou não, quem mais me ajuda a sair deles são aquelas, boas e sempre confiáveis, pessoas a quem eu normalmente gostaria de me desculpar... Por tê-las magoado... Ou por não tê-las ajudado como ajudam a mim.

Obrigada amigo, você me faz perceber que, as desculpas não foram ditas... Mas foram sentidas. Muitas vezes perdoadas sem palavras... Outras vezes, perdoadas após curta ou longa discussão...

Obrigada por sempre saber como estou apenas com um olhar, um gesto, uma palavra...

Assim, entendo, amigo, que um pouco de mim está em você...

E o pouco de você que está em mim, pode acreditar amigo, é a parte que mais admiro.

de de

Irreversível

O amor surge tão inesperadamente que a gente nem acredita, pensa estar se enganando de novo, pensa estar doido de novo, ou simplesmente não sabe o que está acontecendo. Procura uma saída, um lugar pra fugir, um jeito de escapar, mas, o problema, é que quando ele chega, ele não se deixa abater, forte e resistente, não cessa e não foge, apenas cresce. E quanto mais a gente tenta esquecer, mais a gente se prende e se esquece de como era a vida antes dele surgir. E o jeito é se entregar, é se arriscar e ver no que vai dar, porque de lento já basta o tempo. Que não passa e não resolve nada, dizendo ele mesmo aos nossos ouvidos: 
"É meu camarada, isso fica por sua conta"


O beijo que todos queriam ganhar. Este é o biquinho mais lindo do mundo...

de de

O nome do vento - Parte 1

** Importante dizer que essa história não é o livro de Patrick Rothfuss, comecei a desenvolver com esse nome e preferi não modificar **


Ela não podia parar... Estava presa àquilo, como se nada pudesse libertá-la. As vozes ao fundo não faziam mais sentido e as letras na sua frente eram devoradas numa velocidade estonteante. A história se desenvolvia na sua mente, e por mais que não parecesse real, tudo conspirava para que seu corpo também fizesse parte dela. Alguém estava tentando chamá-la, alguém muito longe tentava tira-la de lá, mas era impossível, ela já estava envolvida demais para sair.
- Terei que matá-la. – disse uma mulher ao seu lado.
- Não! Eu não sou quem você pensa! Eu preciso voltar para casa!
- Tarde demais!
O tiro ecoou na floresta adentro. Sofia caiu. A mulher observou por um instante a moça caída no chão... Seu rosto estava sujo, assim como suas roupas, e do seu pescoço pendia um colar de prata com um pingente em formato do nome ‘Sofia’. Após constatar que a moça estava morta, a mulher virou-se e foi embora.
Sofia não sentia seu coração pulsar, sua blusa estava encharcada de sangue, no lugar onde seu coração deveria estar batendo. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo. Tudo estava calmo, ela podia se mexer e respirar, mas seu coração não batia. Não havia mais letras na sua frente, ela não sentia mais a cadeira na qual sentara. Suas roupas eram outras. Não estava mais na biblioteca, mas numa floresta densa de árvores gigantes que impediam a visão do céu.

Há alguns instantes atrás ela estava na biblioteca procurando por alguns livros para fazer um trabalho na escola quando um em especial chamou sua atenção. Ele não fazia parte daquela estante, e nem mesmo tinha a etiqueta da biblioteca. A capa dura vermelha carregava uma escrita dourada e o interior era escrito à mão com desenhos às bordas. Com certeza era único.

... continua ...


de de

Minha melancolia



Há tanta melancolia represada neste peito, que é impossível explodir...
Porque melancolia não transborda, ela apenas me deixa assim
sem forças pra lutar
sem forças até pra resistir

Há tanta melancolia represada neste peito, que eu me obrigo a te explicar...
Mas ela não pode ser explicada, apenas sentida

E ela é a razão do meu descontrole
É tão egoísta
Impossível entender
Só minha

Mas ainda sim

Há tanta melancolia represada neste peito, que eu preciso te contar...
Porque eu te vejo e sinto ela evaporar

Há tanta melancolia represada neste peito, que eu pareço até inventar...
Mas é que ainda existe a esperança
de sua alegria me salvar

de de

Quando o amor chega - Final


Cinco meses se passaram e a irmã de Renata voltaria para o trabalho. Renata não sabia como se sentir, sabia que a lanchonete não podia continuar com sua contratação, e sabia que jamais veria Mateus em outras ocasiões senão ali. Todo esse tempo passou e ela ainda não havia tido coragem de dizer o que sentia, cada dia ficava mais forte, mais incontrolável e impossível de dissimular. A idéia de entregar um bilhete não atraía tanto agora. A reação que ele teria a assustava, mesmo sem saber como seria. Se ele correspondesse tudo ficaria maravilhoso, mas se ele a rejeitasse, ela teria que ir embora, sem emprego, sem amor e com o coração partido.

Mas ela não podia sair sem saber como seria. Escreveu o que sentia e pretendia entregar naquele dia à tarde. Foi uma preparação intensa, ficou um mês escrevendo e corrigindo, imaginando sua reação e modificando o texto, planejando cada detalhe para que nada saísse errado.

Ela entraria em sua sala para assinar a recisão do contrato, e diria que precisava que ele soubesse de uma coisa que estava prendendo seu coração, entregaria o texto, e esperaria a reação dele... Talvez não fosse um plano tão bom, talvez fosse melhor olhar pra ele e falar, mas ela sabia que não conseguiria dizer nada.

A hora havia chegado, deu uma última olhada no texto, para conferir se tudo estava direito:

Mateus, eu tentei evitar, tentei me convencer de que isso é um engano, me convencer de que você não era pra mim, ou de que eu não era pra você, mas... Nossa combinação é inegável! E eu não consigo mais ficar perto de você sem me sentir perdidamente atraída.

Não era pra acontecer, mas aconteceu. Penso em você todo o tempo, sinto a sua falta como louca... Só gostaria que você soubesse disso, porque eu não quero passar a vida imaginando que poderia ter vivido ao seu lado.

Quando você não está por perto e o telefone toca eu rezo pra ser você, só pra escutar a sua voz, quando chega alguém eu olho na esperança de ver você, quando recebo e-mails, torço tanto pra que seja seu...Dizendo qualquer coisa, só pra eu sentir que você se importa.

E quando estou com você... Nem consigo me concentrar, porque fico imaginando como seria se você soubesse... Quando você me olha eu gostaria que todas as pessoas ao redor pudessem congelar, pra eu poder curtir esse momento sozinha com você.

Me desculpe acabar com nossa amizade assim, mas eu não posso fingir que sinto apenas amizade, se quando te olho eu imagino como seria bom ser sua e poder expressar aos quatro ventos tudo o que sinto por você.

Talvez um pouco exagerado, mas não era mais do que o seu amor. Entrou na sala e lá estava ele, de pé na frente da mesa, revendo o contrato.

- Renata...

- Oi.

Ela sentia como se a sala estivesse cheia de uma emoção não demonstrada, e tinha certeza de que ele sentia o mesmo, só lhe faltava agora a coragem de lhe entregar o texto.

- Renata, este é o seu contrato, se puder sentar, dar uma olhada, você assina nesta linha. Olha, eu sinto muito você ter que ir... Eu gostaria de poder fazer alguma coisa por você, mas eu não pude. Sinto muito.

Enquanto ele falava, ela assinava e tirava o texto do bolso, porém, antes de entregar, alguém entrou na sala comunicando que a empresa de consultoria havia chegado e esperavam para falar com ele.

- Então, é isso. Eu... Espero que dê tudo certo.

Ela levantou-se e eles não sabiam nem ao menos como se despedir. Um aperto de mãos, um abraço ou nada... Optaram por um aperto de mãos. Ela virou-se para sair, mas percebeu que não podia deixar aquilo assim.

- Mateus, eu... Sei que há pessoas esperando você, mas eu preciso te dizer...

Quando olhou para ele, no entanto, tudo foi esquecido. Ela estendeu o papel com o texto, mas quando ele se aproximou, não pegou o papel. Simplesmente envolveu sua cintura enquanto lhe beijava com o carinho e emoção represadas todo esse tempo.

Neste instante, o mundo deixava de existir para os dois, não estavam mais naquela sala, estavam em local algum. Só sabiam sentir e respirar. E quando o beijo acabou, eles se olharam, cada um a seu modo, entendendo que à sua frente estava a pessoa que complementava seu próprio ser, e que o tempo esperado agora não era nada, porque finalmente estava acontecendo, e era atemporal.

Abraçaram-se com uma felicidade tranqüilizante, que dispensava as palavras. Mas, de repente, eles voltaram ao mundo e lembraram-se de que alguém estava esperando. Eles se olharam e riram.

- Você me espera?

- Sempre.

Eles beijaram-se novamente, e ao sair da sala Renata guardou o texto no bolso novamente. Riu para si ao lembrar de todo o nervosismo que havia passado. Mas não se arrependia, porque sairia dali, finalmente, completa.



de de

Não quero rosas, desde que haja rosas

Não quero rosas, desde que haja rosas.

Quero-as só quando não as possa haver.

Que hei-de fazer das coisas

Que qualquer mão pode colher?

Não quero a noite senão quando a aurora

A fez em ouro e azul se diluir.

O que a minha alma ignora

É isso que quero possuir.


Para quê?… Se o soubesse, não faria

Versos para dizer que inda o não sei.

Tenho a alma pobre e fria…

Ah, com que esmola a aquecerei?…


Fernando Pessoa - 7-1-1935



Como não conseguia escrever, resolvi deixar essa poesia lindíssima de Fernando Pessoa, que eu amo.

de de

Oceano

Vou ceder
com toda vontade que represei


Tanto tempo


Vou te enlouquecer, ou a mim
talvez ambos
talvez nenhum


Mas agora


Preciso extravasar


Uma pequena gota no seu oceano, eu sei
mas eu sei como fazer


Eu sei como


E eu sei que uma gota
           às vezes
representa mais do que parece


Porque o oceano é cheio delas
           mas
nenhuma é tanto
quanto eu serei


Que tal o risco?
       de nunca mais estar ali...
            de ser esquecido no obscuro
                 de não mais voltar
            de perder-se para sempre e
       se transformar


em tudo
                e nada
                              e ser eterno e infinito
                e para sempre e tão longe quanto
nem gota, nem oceano


mas tudo


o que há


talvez o medo me impeça
...mas o que fazer
diante da magnitude desse amor


O risco de se perder
vale o benefício de ser
Eterno


de de

Declaração de amor sucinta

Olha, eu não vou te enrolar tentando ser teu amigo ou lançando olhares que podem não dar em nada. Eu vou apenas te dizer, que você é a mulher mais perfeita que eu já conheci, você é linda, inteligente, simpática, gentil, eu não sei, pode ser só pra mim, mas é isso que importa. Eu estou arriado por você. Por que você deve ser muito quente na cama, com certeza seria uma esposa exemplar e uma mãe fantástica, tenho todos os motivos do mundo para adorar você, por isso não quero perder tempo fingindo que não sinto algo a mais. Então, se você aceitar sair comigo eu posso te mostrar que sou o homem perfeito pra você. E aí, tá afim?


de de

Feliz realidade

É tão estranho... quando a gente começa a gostar de alguém e não sabe o que fazer, o que dizer, como reagir. Tentamos nos tornar melhores e ser diferentes da multidão. Tentamos chamar a atenção ou apenas desejamos com todas as forças que o fruto de nosso desejo nos deseje tanto quanto.

Então vêm as dúvidas. A análise minuciosa de cada gesto e de cada palavra do outro. Como se alguma coisa pudesse indicar se o sentimento é mútuo...


De qualquer forma, mais cedo ou mais tarde a gente descobre que todo o esforço era em vão, se a pessoa gostava, ela gostava do jeitinho que a gente era, e se ela não gostava... Nada ia mudar isso mesmo!


Mas, mesmo sabendo que é ilusão, mesmo sabendo que os sinais não estão ali. A gente inventa e se desdobra pra achar um motivo.
 

Um motivo para estar gostando, um motivo para não ser correspondida, um motivo para se declarar, um motivo para tudo!
 

Acontece que os motivos certos nunca são encontrados, e a gente continua gostando, continua achando que não está sendo correspondido, continua não se declarando e continua sempre, apesar de tudo, acreditando que um dia vai dar certo.
 

Mas aí, um dia, a gente desiste, para e resolve seguir a vida sem se importar se aquelas borboletas no estômago irão aparecer ou não.
 

E eis que o mais incrível acontece.
 

Surge alguém que nos faz tão bem e que nos conforta. Alguém que te conquista pelo olhar e te ganha pelas atitudes.
 

E para esse alguém você nem precisa identificar sinais ou tentar se iludir, por que os sinais são claros e precisos.
 

Assim, a novela da ilusão termina, e a novela da realidade apaixonante se inicia.
 

E o mais engraçado é que essa novela não faz o protagonista sofrer no começo para terminar bem. Ela já inicia com o protagonista radiante de felicidade.
 

E a única coisa que precisa ser feita é acreditar, que aquelas ilusões não existem mais, porque agora é tudo uma feliz realidade.